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As Imagens e as Vozes da Despossessão: A Luta pela Terra e a Cultura Emergente do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)

Língua:

Português (change language to English)

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Cultura emergente por categorias -> Hist√≥ria: Marchas, marcos, congressos 48 recursos (Categorias culturais produzidas por & © Else R P Vieira)

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Este recurso se encontra também em:

Poemas
História: Massacres e mártires

Autor:

Zé Pinto

Título:

Oziel est√° presente

Aquele menino era filho do vento
Por isso voava como as andorinhas
Aquele menino trilhou horizontes
Que nem um corisco talvez ousaria
Levava no rosto semblante de paz
E um riso de flores pro amanhecer
sol da estrada brilhou sua guerra
Mirou o seu povo com olhar de justiça
Pois tinha na alma um cheiro de terra
Tantas primaveras tinha pra viver
Pois tão poucas eras te viram nascer
Beijou a serpente da fome e do medo
Mas fez da coragem seu grande segredo,
Ergueu a bandeira vermelha encarnada
Riscou na reforma um "a" de agrária
E assim prosseguiu.
Seguiu cada passo com uma fé ardente
A voz ecoando na linha de frente
Em tom de magia numa melodia de estar presente
E a marcha seguia, seguiam os homens,
Mulheres seguiam, crianças também caminhavam
Mas lá onde a curva fazia um "S"
Que não se soletra com sonho ou com sorte
Pras bandas do norte o velho demônio
Mostrou seu poder.
Ali o dragão urrou, o pelotão apontou,
As armas cuspiram fogo, e dezenove
Sem terra, a morte fria abraçou.
Mas tremeu o inimigo com a dignidade do menino
Inda quase adolescente, pele morena, franzino
Sob coices de coturno, de carabina e fuzil
Gritou amor ao Brasil, num viva ao seu movimento,
E morreu!
Morreu pra quem não percebe
Tanto broto renascendo
Debaixo das lonas pretas, nos cursos de formação
Ou já nos assentamentos,
quando se canta uma canção,
ou num instante de silêncio
Oziel está presente,
Porque a gente até sente,
Pulsar o seu coração.

Poemas : Editado por Else R P Vieira. Tradu√ß√£o © Bernard McGuirk.

Data:

novembro de 2002

Recurso ID:

OZIELISW953

Gloss√°rio

Compilado por Else R P Vieira. Tradu√ß√£o © Thomas Burns.

Casas de lona preta
"Termo usado para descrever os barracos nos acampamentos dos sem-terra. Como os barracos s√£o constru√≠dos em car√°ter tempor√°rio (embora √†s vezes os acampamentos durem at√© tr√™s anos), as fam√≠lias utilizam pl√°sticos pretos, um produto barato comumente usado para proteger produtos industriais das intemp√©ries; com alguns metros pode-se cobrir a √°rea necess√°ria para acolher uma fam√≠lia. Por outro lado, esse tipo de material concentra muito calor, de modo que, durante o dia, √© praticamente imposs√≠vel ficar dentro dos barracos. Quando h√° uma grande concentra√ß√£o desses barracos, a m√≠dia costuma chamar de "cidade de lona preta"" (Fernandes, Bernardo Man√ßano. Pequeno Vocabul√°rio da Luta pela Terra. In√©dito). 

Oziel
Jovem de apenas 18 anos de idade, assassinado por oasi√£o da emboscada praticada pela pol√≠cia militar em Eldorado de Caraj√°s. Foi torturado at√© a morte e obrigado a gritar "Viva o MST" (Calend√°rio Hist√≥rico dos Trabalhadores. S√£o Paulo: MST, Setor de Educa√ß√£o. 3a. edi√ß√£o, 1999, p. 38). 

Antologia de poemas
Uma seleção de primeira mão, inédita dentro e fora do Brasil. Uma poética militante; a importância social e política do cantador, a construção de um cânone da despossessão; a mulher sem-terra; o tema da morte como horizonte de vida; o projeto pedagógico.
Else R P Vieira

		À Universidade da página bem-vinda de Nottingham

Vozes Sem Terra, site hospedado pela
School of Languages, Linguistics and Film
Queen Mary University Of London, Grã-Bretanha

Coordenadora do Projeto e Organizadora do Arquivo: Else R P Vieira
Produtor do Web site: John Walsh
Arquivo criado em janeiro de 2003
Última atualização: 11 / 18 / 2014

www.landless-voices.org