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As Imagens e as Vozes da Despossessão: A Luta pela Terra e a Cultura Emergente do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)

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Português (change language to English)

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Cultura emergente por categorias -> Hist√≥ria: Marchas, marcos, congressos 48 recursos (Categorias culturais produzidas por & © Else R P Vieira)

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Composi√ß√Ķes das crian√ßas

Autor:

Dulcirene Pereira Santos
(Magistério PB, Paraíba.) Reproduzida com a permissão do MST São Paulo

Título:

A luta pela terra
(A hist√≥ria do MST e sua emerg√™ncia com a revolta dos trabalhadores durante a ditadura. Marchas de protesto despertando a consci√™ncia do povo. Luta social dos √≠ndios, brancos e negros. Uso da tradi√ß√£o do cordel, poema narrativo t√≠pico do Nordeste brasileiro. Na origem do cordel, as est√≥rias eram freq√ľentemente narradas em verso e disseminadas pelos cantadores nas feiras locais.)

Preste bastante atenção
Companheiros e companheiras,
Uma história eu vou contar
São relatos verdadeiros.

Vou falar da luta da terra
E do povo oprimido
Mas que temos um grande sonho
O da vida melhorar
Dando terra a quem precisa
E a Reforma Agrária já.

A partir da ditadura
E os trabalhadores revoltados
Foram criando mais forças
E os movimentos foram formados.

Passaram-se alguns anos
E as ligas se organizando
Houve muitos conflitos,
E o povo foi entendendo
Que todos tinham direito
Da terra ir cultivando.

João Pedro Teixeira
Líder das Ligas Camponesas
Homem forte e lutador
Foi morto sem piedade
Sua mulher fez uma promessa
Pra luta dar continuidade.

Com a crise no campo e na agricultura
E as migrações para as grandes cidades,
O desemprego veio acontecer
E o povo organizado, criou o MST

Famílias expulsas de uma reserva indígena,
Cansadas de andar sem rumo
Resolveram se organizar
Marchando já decididos
Para uma terra ocupar.

Neste dia teve início, a primeira ocupação
Não sabiam os governantes
Que estava a começar
Os retomados das lutas
Para as terras ocupar.

O primeiro grito de ordem
Desta Organização
Terra de Deus,Terra de irmãos
e Terra para todos.
Gritavam os companheiros
Com muita convicção.

A organização foi crescendo
Muito tinha que fazer
juntou-se a companheirada
Pro congresso acontecer.

Em janeiro de oitenta e quatro
Em Cascavel , no Paraná,
Reuniram-se as lideranças
De treze estados do Brasil,
Pra decidir o que iriam fazer
Em prol do MST.

Todos juntos a decidir
Os objetivos, formas e organização
A sigla do Movimento
E as primeiras reivindicações.

O objetivo do MST é
de fazer acontecer
As lutas dos trabalhadores
Que é a Reforma Agrária pra valer,
Sem explorados e exploradores.

Não ficou só por aí,
Os objetivos da Organização
Vamos trabalhar a situação política
Conjuntura e formação
Os direitos humanistas
Saúde e educação.

Trabalhamos os valores:
Determinação pela luta,
Capacidade de indignar-se
Vida enquanto há condições de viver
Pra ver a vida acontecer
Ter o direito de voz
Para gritar por justiça.

Depois de tanta injustiça
Muitos foram os torturados
Foram tantos os massacres.

O de Corumbiara, Carandiru
e Eldorado.
Muita morte aconteceu
João PedroTeixeira,
Oziel e Teixeirinha.
O Massacre da Candelária
Onde muita criança morreu.

Não esquecendo os outros
Que nos trazem inspiração
Karl Marx, Paulo Freire
e Margarida Aves.
A morte dos companheiros,
É ferida que nunca sara
Não podemos esquecer
O saudoso Che Guevara.

Com a continuação da luta
Voltaram a reunir
Criando os gritos de ordem:
Ocupar, resistir e produzir.

Reforma Agrária uma luta de todos,
Quando o latifúndio quer guerra,
nós queremos terra.
Com estes gritos de ordem
A luta se acelera.
Durante todos esses anos
Foram muitas as conquistas
O prêmio Nobel Alternativo
Foi muita emoção
E o Prêmio Unicef
Pelo Programa da Educação.

O que marcou nos últimos dias
Foi a grande concentração
Com mil e quinhentos acampados
Todos bem organizados
Pra falar com FHC(1)
Diante de tanta pressão
Ele não teve saída
Nervoso tentou atender
As reivindicações do MST.

Com toda essa trajetória
Tivemos muitos sucessos
Somos duzentas mil famílias assentadas
E mais de sete milhões de hectares
Tirados do latifundiário
Criando trabalho e alimentando
E fazendo nossa história.

Não estamos satisfeitos
Muita coisa temos a falar
Fomos todos organizados
Pra Consulta Popular
Conscientizando o povão
Pra fazer uma grande marcha
Do pobre e do oprimido
Pra acabar com a farsa
Das classes opressoras
Por isto está aí a marcha.

Pra fazer Reforma Agrária
Vamos nos desafiar
Entrar na luta do povo
E o Brasil tentar mudar.

Nossa luta é social
Disto não duvido não
Tem o índio, o branco, o negro
Pra mudar essa Nação
Depois das lutas camponesas
Com mortes, vitórias e desenganos
Com muitas lutas e organicidade
O MST completa "15 anos".

Já dizia Paulo Freire
Educar e educar-se
Na prática da liberdade
É tarefa dos que sabem e pouco sabem
Transformando o seu pensar
Pra mudar a sociedade.

Aqui vou finalizando
Com tanto contentamento
De falar dos quinze anos
Deste grande Movimento
É com grande emoção
Que retrato esta história
Da luta por nossa terra
Que ficará na memória.

Pátria Livre!

1. Iniciais do Presidente Fernando Henrique Cardoso (1994-2002).

Composi√ß√Ķes das crian√ßas : Organizado por Else R P Vieira. Tradu√ß√£o © Thomas Burns.

Data:

novembro de 2002

Recurso ID:

STRUGGLE181

Gloss√°rio

Compilado por Else R P Vieira. Tradu√ß√£o © Thomas Burns.

Candel√°ria
"Importante igreja cat√≥lica da cidade do Rio de Janeiro. Em julho de 1993, em frente √† igreja, ocorreu uma chacina, quando oito meninos de rua foram assassinados. Esse fato representa, at√© hoje, a indigna√ß√£o dos movimentos populares. Por essa raz√£o Candel√°ria transformou-se na representa√ß√£o da luta contra a viol√™ncia na cidade e no campo" (Fernandes, Bernardo Man√ßano. Pequeno Vocabul√°rio da Luta pela Terra. In√©dito). 

Che Guevara
"Ernesto Guevara de la Serna (1928-1967), l√≠der guerrilheiro. M√©dico nascido na Argentina, participou ativamente da vitoriosa Revolu√ß√£o Cubana. Abandonou os cargos que chegou a ocupar no governo cubano para contribuir com a luta revolucion√°ria no Congo e, mais tarde, na Bol√≠via, onde foi assassinado. Transformou-se num √≠cone das lutas revolucion√°rias da Am√©rica Latina" (Fernandes, Bernardo Man√ßano e Stedile, Jo√£o Pedro. Brava gente: a trajet√≥ria do MST e a luta pela terra no Brasil. S√£o Paulo: Editora Funda√ß√£o Perseu Abramo, 1999, nota 19, p. 60-61). 

Corumbiara, Massacre de
"Na madrugada do dia 09 de agosto de 1995, um contingente de 300 policiais do Comando de Opera√ß√Ķes Especiais (COE), de Rond√īnia, investiu contra as 500 fam√≠lias de sem-terra que tinham ocupado a Fazenda Santa Elina, em Corumbiara. Tal chacina, que chocou todo o pa√≠s, teve um saldo final de nove sem-terra mortos inclusive uma menina de sete anos e dois policiais, al√©m de dezenove feridos e muitos desaparecidos" (Calend√°rio Hist√≥rico dos Trabalhadores. S√£o Paulo: MST, Setor de Educa√ß√£o. 3a. edi√ß√£o, 1999, p. 59-60). 

Paulo Freire
"Paulo Freire (1921-97) pernambucano, educador, criou e desenvolveu um m√©todo revolucion√°rio de alfabetiza√ß√£o de adultos. Exilado pela ditadura militar, aplicou seu m√©todo em in√ļmeros pa√≠ses do Terceiro Mundo" (Fernandes, Bernardo Man√ßano e Stedile, Jo√£o Pedro. Brava gente: a trajet√≥ria do MST e a luta pela terra no Brasil. S√£o Paulo: Editora Funda√ß√£o Perseu Abramo, 1999, nota 12, p. 59). 

Latif√ļndio
Latif√ļndio ou grande propriedade rural tem duas defini√ß√Ķes: latif√ļndio por dimens√£o, que √© o im√≥vel rural com √°rea superior a seiscentas vezes o tamanho m√©dio da propriedade familiar; latif√ļndio por explora√ß√£o √© o im√≥vel rural com √°rea inferior a seiscentas vezes o tamanho m√©dio da propriedade familiar e cujas terras n√£o s√£o exploradas (Fernandes, Bernardo Man√ßano. Pequeno Vocabul√°rio da Luta pela Terra. In√©dito). 

Desenhos das crianças
Apresentados em 3 concursos nacionais. O Brasil que queremos ter: seus projetos de vida advindos de sua xperiência de despossessão e de uma vida contingente; Brasil, quantos anos você tem: a revisão, pelas crianças, da historiografia oficial; Feliz Aniversário MST!: o impacto do Movimento sobre suas vidas.

Else R. P. Vieira

Veja também: As composi√ß√Ķes e poemas dos sem-terrinha: a hist√≥ria em revis√£o

		À Universidade da página bem-vinda de Nottingham

Vozes Sem Terra, site hospedado pela
School of Languages, Linguistics and Film
Queen Mary University Of London, Grã-Bretanha

Coordenadora do Projeto e Organizadora do Arquivo: Else R P Vieira
Produtor do Web site: John Walsh
Arquivo criado em janeiro de 2003
Última atualização: 11 / 18 / 2014

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